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#TBDig: Richard Russell rouba avião e comove o mundo em conversa por rádio em um último ato de desespero

O #TBDig resgata o incidente de 2018, detalhando como o agente de pista, sem licença de piloto, furtou um avião comercial, realizou manobras arriscadas e expôs sua fragilidade emocional para a torre de controle, antes do desfecho fatal na Ilha Ketron.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

O #TBDig desta semana revisita um dos incidentes mais trágicos e inusitados da aviação civil americana: o roubo de um avião comercial por Richard Russell, um agente de serviço de pista de 29 anos, no Aeroporto Internacional de Seattle–Tacoma (Sea-Tac), em agosto de 2018. A história é um triste registro da audácia humana e da fragilidade emocional, que se desenrolou durante 90 minutos de voo não autorizado.

Richard Russell trabalhava legalmente no aeroporto, sendo encarregado de manusear bagagens e aeronaves em solo. Ele não possuía qualquer licença profissional para pilotar, mas tinha conhecimento suficiente do checklist de startup das máquinas. O roubo não envolveu quebra de segurança: Russell usou um veículo para posicionar o turboélice Bombardier Q400, com capacidade para 76 passageiros, ligou os motores e, em um ato de audácia extrema, decolou sem permissão da torre.

90 Minutos de Desabafo e Manobras Aéreas

O caso ganhou proporção global justamente pelo diálogo que Russell manteve com o controle de tráfego aéreo (ATC) durante os 90 minutos de voo. Suas transmissões pelo rádio, repletas de desabafo e ironia, trouxeram um aspecto humano e trágico ao incidente. O público pode conferir o áudio da conversa, legendado em português, junto aos vídeos das acrobacias.

Em trechos que revelaram sua dor, Russell expressou profundo arrependimento:

“Eu tenho muita gente que se importa comigo, e vai ser uma decepção pra eles saberem que eu fiz isso. Eu gostaria de pedir desculpas a cada um deles. Eu sou só um cara quebrado.”

Ele também demonstrou uma consciência trágica e confusão mental:

“Tenho uns parafusos soltos, eu acho. Nunca percebi de verdade até agora.”

Apesar da tensão, Russell realizou manobras aéreas complexas, incluindo um “barrel roll” (giro completo), surpreendendo os controladores. Ele questionou o controlador sobre o próximo passo: “Certo. Ei, cara do piloto, quando é que eu vou pousar isso?”.

Em seguida, ele revelou seu plano arriscado e final, antes do desfecho trágico:

“Acho que vou tentar fazer um barrel roll e, se der certo, eu simplesmente aponto o nariz pra baixo e encerro a noite.”

O voo não autorizado fez com que caças F-15 fossem mobilizados para interceptá-lo. O avião acabou caindo na desabitada Ilha Ketron, em Washington, resultando na morte de Richard Russell. O FBI classificou o ato como suicídio. A história é lembrada como um marco na segurança da aviação e um triste registro da audácia humana em um último ato de desespero.

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