Caso Orelha completa um mês: PCSC utiliza software israelense para rastrear envolvidos
Investigação em Florianópolis avança com indiciamento de três adultos, análise de mil horas de vídeo e perícia digital em celulares de adolescentes que retornaram do exterior.

Nesta quarta-feira (4), o caso que chocou o país e gerou uma mobilização nacional sem precedentes completa 30 dias. As agressões que levaram à morte do cão Orelha, em Florianópolis, seguem sob investigação minuciosa da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC). O inquérito, conduzido pelos delegados Renan Balbino e Mardjoli Valcareggi, já resultou no indiciamento de três adultos por coação e na identificação de ataques a um segundo animal, o cão Caramelo.
A complexidade do caso levou a polícia a utilizar tecnologias de ponta. Atualmente, dados de aparelhos celulares apreendidos passam por um software de inteligência israelense, capaz de determinar a geolocalização exata dos suspeitos nos momentos em que os crimes foram cometidos.
Linha do Tempo: Os marcos da investigação

A PCSC estabeleceu uma cronologia detalhada que conecta atos de vandalismo, furtos e maus-tratos a animais no início de janeiro:
- 04/01: Data do ataque fatal ao cão Orelha. A polícia investiga a participação de dois adolescentes, embora não existam imagens diretas do momento do crime.
- 06/01: Câmeras registram agressões e tentativas de afogamento contra o cão Caramelo. Três adolescentes foram identificados nesta ocorrência.
- 13/01: Dois pais e um tio dos jovens foram indiciados por coagir um porteiro que testemunhou atos do grupo na região da Praia Brava.
- 26/01: Após análise de quase mil horas de imagens, mandados de busca foram cumpridos. Laudos veterinários e depoimentos foram anexados ao inquérito.
- 29 e 30/01: Dois adolescentes que retornaram de uma viagem ao exterior tiveram seus celulares apreendidos e prestaram depoimento oficial.
Ciência Forense e Cibernética
Além do rastreio por satélite, o CiberLab da PCSC atua para identificar se houve o estímulo de “desafios” em redes sociais ou aplicativos de mensagens que pudessem ter motivado a crueldade contra os animais. Até o momento, essa hipótese de “challenge” digital ainda não foi confirmada, mas os dados extraídos dos telefones serão cruciais para o fechamento do relatório final, que será encaminhado ao Ministério Público.
“A precisão técnica é fundamental neste caso para que a responsabilização seja justa e proporcional à gravidade dos atos cometidos”, reforça a linha investigativa da PCSC.





