ALTA NOS DESCARTÁVEIS - Por BDig | Portal

Alta do petróleo eleva preço de embalagens descartáveis em João Pessoa em até 40%; comerciantes alertam: "vai aumentar mais"

Comerciantes na capital paraibana relatam forte reajuste em embalagens descartáveis, ligado à alta do petróleo por tensões no Oriente Médio.

Foto: Reprodução

Preço dos descartáveis sobe até 40% em João Pessoa

Comerciantes de João Pessoa relataram nesta sexta-feira aumento expressivo nos valores de embalagens descartáveis, que chega a até 40% em alguns produtos. Empresários locais apontam que a alta tem relação com a elevação do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio e pela importância estratégica do Estreito de Hormuz para o transporte de óleo.

Os itens plásticos são fabricados a partir de derivados petroquímicos, o que os torna diretamente sensíveis a flutuações nos mercados internacionais. As oscilações no preço do petróleo refletem no custo das matérias-primas e no frete, pressionando a cadeia de abastecimento.

Proprietário de um restaurante no bairro de Mangabeira, na zona sul da capital, Jadiel produz cerca de 200 quentinhas por dia e diz já sentir os efeitos da alta. Ele reclama da falta de estoque e dos custos mais altos: “Duas coisas que eu pontuo: uma é a escassez do produto, que você liga para diversos fornecedores e não tem. Aí, quando encontra, o preço tá bem salgadinho.” Por enquanto, segundo Jadiel, o aumento tem sido absorvido pelo estabelecimento para evitar repassar o reajuste ao cliente.

No Mercado Central de João Pessoa, Anderson, comerciante com uma década de atuação no setor de embalagens, afirma nunca ter visto um salto tão rápido nos preços. Ele conta que mercadorias que costumava vender por R$ 14 já chegam à loja com indicação de venda por R$ 20, e que os reajustes mais intensos ocorreram nas últimas duas semanas. O comerciante alerta que, caso a tendência continue, os reajustes serão repassados ao consumidor final.

Como o conflito no Oriente Médio pressiona preços no Brasil

O aumento do preço do petróleo influencia diretamente o custo do transporte e de insumos. Combustíveis mais caros elevam o preço do frete — fator crítico em um país que depende fortemente do transporte rodoviário — e encarecem a produção agrícola e industrial. Além disso, petróleo e seus derivados são matérias-primas para plásticos e fertilizantes, de modo que a alta do óleo se propaga para embalagens, alimentos e outros produtos.

Esse efeito em cadeia pode pressionar a inflação e impactar decisões de política econômica, como a definição de juros. Analistas e comerciantes acompanham o desdobrar do conflito e a evolução dos preços para avaliar quando e quanto será repassado ao consumidor.

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