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Mortandade de peixes em Campina Grande: estudo aponta degradação do Canal das Piabas e poluição chegando ao Açude Velho

Pesquisa da UFCG aponta que despejos e falta de saneamento comprometeram a água que alimenta o Açude Velho e demandam intervenções urgentes.

Foto: TV Paraíba

Um estudo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) aponta para a necessidade de intervenção no Canal das Piabas, principal afluente que deságua no Açude Velho, em Campina Grande, após a retirada de quase 10 toneladas de peixes mortos do reservatório. A pesquisa chama atenção para a qualidade da água que chega ao local e para impactos ambientais e sociais decorrentes do despejo de efluentes ao longo do curso d’água.

Um riacho que abrigava piabas

O Canal das Piabas tem origem em um riacho natural que, historicamente, recebeu o nome por abrigar pequenas espécies de peixe conhecidas como piabas. Com o processo de urbanização, a área mudou: ocupações irregulares e a falta de infraestrutura levaram ao lançamento direto de esgoto no leito do riacho. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Gabriele Souza, essa transformação comprometeu profundamente as condições físicas e químicas da água.

Com o crescimento populacional nas margens e sem rede de coleta ou fossas adequadas, o riacho passou a receber grande quantidade de efluentes. A canalização posterior não solucionou o problema: parte das águas canalizadas segue para uma queda na Zona Leste, rumo ao Rio Paraíba, e outra parte desemboca direto no Açude Velho, levando consigo materiais poluentes e odores fortes.

Impactos e riscos para moradores

Moradores das comunidades às margens do Canal das Piabas relatam perda de qualidade de vida, problemas de saúde e episódios de alagamento frequentes em períodos chuvosos. Lideranças locais afirmam que o riacho, antes limpo e usado para pesca, hoje é marcado por esgoto exposto e más condições sanitárias.

A pesquisa também relaciona os despejos com riscos mais graves: há registros de inundações que já causaram danos pessoais e materiais, além de contaminação por bactérias oriundas de efluentes sem tratamento. Esses fatores tornam evidente a necessidade de ações públicas coordenadas para a restauração e proteção da área.

Ligação com o Açude Velho e propostas de solução

A presença de água poluída chegando ao Açude Velho contribuiu para o processo de eutrofização do reservatório e, consequentemente, para a mortandade em massa de peixes. Em amostras do riacho e do canal, a pesquisadora registrou níveis de oxigênio tão baixos que chegam a zero, condição que inviabiliza a sobrevivência de espécies típicas, mantendo apenas microorganismos anaeróbicos.

Diante desse cenário, a equipe da UFCG propõe medidas estruturais e soluções baseadas na natureza. Entre as alternativas apresentadas está a implantação de um “jardim flutuante” — um sistema de fitoremediação que utiliza plantas aquáticas para absorver e filtrar contaminantes, melhorando a qualidade da água e agregando valor paisagístico ao entorno. O projeto, vinculado ao CNPq e parte de uma iniciativa de incentivo à pesquisa liderada por mulheres, já teve testes preliminares em áreas da universidade com resultados promissores.

Para a pesquisadora, a ação primordial é interromper os lançamentos de esgoto nos corpos hídricos, mas soluções como wetlands construídos e sistemas de tratamento natural podem acelerar a recuperação do Canal das Piabas e do Açude Velho, prevenindo novos episódios de mortandade e reduzindo riscos à saúde pública.

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