POLÍCIA - Por BDig | Portal

Operação nacional contra venda ilegal de medicamentos abortivos cumpre mandados em João Pessoa e mais seis estados

Investigação iniciada no Rio Grande do Sul desarticula quadrilha que atuava em sete unidades da federação; grupo captava vítimas por redes sociais.

Foto: Divulgação Polícia Civil

Uma ampla ofensiva contra o comércio clandestino de fármacos controlados foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (08). A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em articulação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), executa a Operação Aurora, visando desmantelar uma organização criminosa especializada na venda de Cytotec (Misoprostol) pela internet. A ação interestadual cumpre ordens judiciais em diversas unidades da federação, incluindo a Paraíba, onde diligências ocorrem especificamente em João Pessoa. Além da capital paraibana, a rede criminosa possui ramificações investigadas em Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais e no Distrito Federal.

O inquérito teve início após um episódio dramático registrado na cidade de Guaíba (RS), em abril deste ano, quando uma mulher procurou socorro hospitalar com fortes dores e acabou expelindo dois fetos. A investigação revelou que a paciente havia adquirido a substância abortiva através de um contato online, que prometia não apenas o remédio, mas também um “assessoramento técnico” virtual conduzido por uma suposta doutora. No entanto, durante o procedimento de risco, a vítima foi negligenciada pela criminosa, ficando sem assistência no momento crítico. O modus operandi do bando consistia em captar mulheres vulneráveis através do TikTok e direcioná-las para grupos de WhatsApp, onde ocorriam as negociações e a falsa orientação médica.

De acordo com a apuração policial, o grupo mantinha um ambiente digital denominado “Sinta-se acolhida”, que reunia mais de 250 mulheres. Neste espaço, os administradores — únicos autorizados a comercializar o produto — compartilhavam tabelas de preços e dosagens, além de incentivar relatos de procedimentos bem-sucedidos para atrair novas compradoras. A operação busca agora identificar a função exata de cada integrante na hierarquia da quadrilha e, principalmente, rastrear a origem do desvio dos medicamentos, uma vez que o Misoprostol é de uso restrito a ambientes hospitalares e tem venda proibida em farmácias comuns.

A delegada Karoline Calegari, responsável pelas investigações, destacou que o lucro obtido pela organização pode ser expressivo, dada a quantidade de participantes no grupo de mensagens. A ação conta com suporte da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI/Senasp) e integra o Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas. O objetivo central, além das prisões e apreensões, é cessar a atividade ilícita que coloca em risco a integridade física e a vida de centenas de mulheres em todo o território nacional.

LEIA TAMBÉM