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Dia Nacional do Samba celebra a história que nasceu na Bahia e virou resistência no Brasil

Mais do que um ritmo, a data de 2 de dezembro homenageia o gênero musical que é Patrimônio Cultural Imaterial e um símbolo de identidade ancestral que resistiu ao racismo estrutural.

Compositor e Sambista brasileiro Cartola (Foto: Divulgação)

O Brasil celebra nesta terça-feira, 2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba, uma das datas mais emblemáticas da cultura nacional. A celebração transcende o aspecto musical, representando a força, a resistência e a identidade negra de um ritmo que se tornou a marca registrada do país no mundo.

Origem Surpreendente e o Veto no Rio

A origem da data é, curiosamente, baiana. O Dia Nacional do Samba surgiu de forma simbólica em Salvador, em 1940. A iniciativa foi proposta pelo vereador Luis Monteiro da Costa para homenagear o compositor Ary Barroso, autor da icônica “Aquarela do Brasil”, que visitava a capital baiana pela primeira vez. A celebração, inicialmente local, expandiu-se rapidamente para o Rio de Janeiro, consolidando-se como uma referência nacional.

Apesar da força carioca, a lei que buscava oficializar a data em 1962 no então estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro) foi inicialmente vetada pelo governador Carlos Lacerda. No entanto, a data de 2 de dezembro prevaleceu, sendo associada também ao início dos ensaios das escolas de samba e às festas populares na capital baiana.

Raízes, Patrimônio e Função Social

O samba é, por essência, uma expressão do povo negro, com raízes nas tradições africanas trazidas pelos povos escravizados. Na Bahia, essa herança se manifestou no samba de roda e no samba chula no Recôncavo. Já no Rio de Janeiro, ele tomou forma urbana nos morros e subúrbios, com figuras como Tia Ciata sendo fundamentais para sua ascensão.

Os 10 Maiores Nomes que Construíram o Gênero

O samba é um legado que une gerações e regiões, do morro de Mangueira (RJ) à São Luís (MA). O Portal BDig lista 10 dos sambistas mais icônicos e suas canções que se tornaram trilha sonora do Brasil:

Cartola (1908–1980)

Fundador da Estação Primeira de Mangueira, é considerado por muitos como o maior sambista brasileiro. Sua arte refinada o consagrou já na maturidade.

    Dona Ivone Lara (1921–2018)

    A “Dama do Samba” e a primeira mulher a assinar um samba-enredo. Sua voz abriu portas para outras sambistas, sendo admirada por sua entrega e talento.

    Paulinho da Viola (1942)

    Reconhecido como um dos mais talentosos representantes da Música Popular Brasileira (MPB). É notável por sua elegância como compositor de samba e choro.

    Zeca Pagodinho (1959)

    Ícone da boemia e do subúrbio carioca, Zeca Pagodinho é um dos sambistas mais populares da atualidade.

    Adoniran Barbosa (1912–1982)

    O “pai do samba paulista”. Comediante e radioator, criou um estilo único com linguagem popular que usava o humor para retratar as ruas de São Paulo.

    Noel Rosa (1910–1937)

    Essencial para a música brasileira. Atuou como mediador cultural entre o samba do morro e o do asfalto, revolucionando o gênero em suas modalidades.

    Beth Carvalho (1946–2019)

    Nascida na Gamboa, a “Madrinha do Samba” teve sua carreira impulsionada pelo Festival Internacional da Canção (FIC) em 1968. É famosa por resgatar nomes da velha guarda.

    Alcione (1962)

    Conhecida carinhosamente como “Marrom”. A sambista maranhense é uma das grandes vozes femininas que seguiu o caminho aberto por Dona Ivone Lara.

    Martinho da Vila (1938)

    Compositor eclético e representante da MPB, Martinho da Vila mistura em seu trabalho o samba-enredo, o folclore e o samba de roda.

    Pixinguinha (1897–1973)

    Maestro, flautista e arranjador. É um dos fundadores do choro brasileiro, mas sua obra “Carinhoso” é frequentemente citada como um dos maiores sucessos do samba.

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