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Conheça o Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco

Com cerca de 18 trilhas e mais de mil cavernas, segundo maior parque arqueológico do País destaca-se pelo turismo sustentável conduzido por guias locais e belezas geológicas únicas.

O Nordeste esconde baús infinitos de magia e história que desafiam o tempo. Localizado no município de Buíque (PE), o Vale do Catimbau — cujo nome remete aos antigos rituais e “papos de cachimbo” da região — atrai pesquisadores e aventureiros do mundo inteiro. A área protegida pelo ICMBio conta com uma rede de mais de 50 guias credenciados, profissionais que transformaram a preservação ambiental na principal engrenagem econômica do território.

🧗 Trilha da Alcobaça: Pinturas Rupestres de 6 Mil Anos

Um dos pontos altos da expedição foi o sítio arqueológico da Alcobaça, o principal e mais imponente do parque nacional. Para chegar até a Pedra dos Três Dedos, o roteiro exige o uso de veículos com tração 4×4 e uma caminhada de 4 quilômetros. No paredão rochoso de mais de 70 metros de extensão, estão gravadas pinturas da tradição agreste feitas com pigmentos de óxido de ferro triturados na rocha.

“Começamos lá nos anos 90 desbravando tudo isso aqui. A gente ia, às vezes saía de manhã e chegava em casa de noite, levava sol, levava chuva. A comida e a água acabavam, a gente chegava faminto em casa, mas tudo por a gente estar hoje aqui, para nós e para os que vieram depois”, relembrou o guia pioneiro Seu Zé Almeida, que acompanhou a equipe de reportagem.

Seu Zé também detalhou os rituais funerários milenares identificados nas escavações: “No Alcobaça é onde você encontra desenhos rupestres de várias cores. Temos mais ou menos umas 5 cores diferentes aqui. Primeiro, eles enterravam a pessoa no chão. Depois de um tempo, tiravam só os ossos, faziam a montagem do corpo de novo em posição fetal e enterravam uma segunda vez em urnas de palha de coco de oricuri, pois acreditavam na reencarnação”.

Sobre o significado exato das pinturas rupestres, o guia brinca com o mistério arqueológico: “O que eles queriam dizer aí, não dá para entender nada. A gente usa a nossa curiosidade. Tem um lagarto ali, um homenzinho de três dedos… Embaixo tem mais um homem grande que parece um ET. Cada um chega aí e faz a sua própria interpretação”.

☕ Mirante do Brejo, Café de Altitude e a Trilha do Santuário

A expedição seguiu por 18 quilômetros a partir da vila do Catimbau até o Mirante do Brejo. A quase 300 metros de altura, o local oferece uma visão panorâmica dos brejos de altitude — ilhas de mata densa e úmida que resistem no meio da Caatinga.

Na serra, a comunidade de Lageiro Bonito, que abriga 120 famílias, revive sua história de persistência. Forte exportadora de café nas décadas de 80 e 90, a lavoura local foi devastada pela seca, mas renasce hoje impulsionada por sistemas de irrigação com energia solar.

“Nós plantávamos café, abacaxi, cajueiro. Pela seca, nós perdemos a nossa safra, mas estamos plantando de novo com energia solar. Todo mundo procura o café daqui. Eu nunca esperava receber tanta gente, muito turista, carro novo direto passando para cá”, comemorou o agricultor Seu Nelson.

A rota de aventura seguiu pela Trilha do Santuário, famosa pelos imensos paredões de arenito cujas superfícies ganham formatos semelhantes a cascas de tartaruga devido à ação dos ventos e da umidade, criando cenários que parecem de outro planeta, como o famoso Vale da Lua.

A segurança dessas rotas é monitorada de perto pelas brigadas do ICMBio. “Nosso papel principal aqui é preservar e cuidar. Se nós não tivermos controle de acesso, o desgaste é muito grande. Sem guia não tem como entrar, o turista não sabe os perigos que podem acontecer aqui. O guia local já sabe de tudo”, alertou um dos brigadistas.

🌅 Pôr do Sol na Igrejinha e a Escultura Viva de José Bezerra

Para encerrar o dia de forma monumental, a equipe acompanhou o espetáculo do pôr do sol na Trilha da Igrejinha, onde o encontro do sol e da lua banha as fendas das rochas com matizes de laranja intenso.

O retorno da jornada reservou uma parada cultural para conhecer o trabalho do artista José Bezerra. Há 40 anos residindo no vale, ele dá vida nova a troncos de madeira morta coletados na Caatinga, transformando-os em esculturas de animais locais utilizando apenas o facão.

“Eu pego uma madeira e ela vai mostrando as curvas que tem, e vou cortando. Não tem motosserra, não tem lixadeira, não tem nada. O Bezerra mostra muito onde está o jeito do passarinho, do tatu, do peba, do coelho… Eu vou cortando e fazendo”, explicou o artista sobre seu processo criativo puramente intuitivo.

📍 Onde se Hospedar e Serviço:

  • Hospedagem de Apoio: Pousada Meu Refúgio (Porta de entrada para os principais roteiros do parque, o local conta com 27 quartos amplos, piscina de água mineral e café da manhã regional completo sob a gestão de Josiane).
  • Apoio Técnico: ICMBio e Associação de Guias do Catimbau.
  • Temperatura Média: Nos meses de inverno (como junho e julho), as temperaturas na região de Buíque chegam à marca dos 12°C, exigindo agasalhos para as trilhas matinais e noturnas.

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