Pedra Azul: O gigante das montanhas capixabas e seus segredos entre lendas e ciência
Reportagem especial desbrava os caminhos do Parque Estadual capixaba, revelando curiosidades históricas do “Santo do Pau Oco”, a ciência por trás da cor azul da rocha e o desafio das cordas que leva às famosas piscinas naturais.

Desbravar a Pedra Azul exige mais do que fôlego; exige disposição para entender o caminho. Com um percurso que varia entre 3,5 km e 3,9 km, a trilha principal conduz o turista por camadas da Mata Atlântica que contam a história da colonização e da própria Terra. O que hoje vemos como uma floresta densa e vibrante de 1.300 hectares é o resultado de um esforço de reflorestamento iniciado nos anos 90, um cenário que está em constante expansão e monitoramento.
📍 O que fazer: Trilhas, mini escalada e piscinas naturais
A experiência no parque é marcada por desafios crescentes. A recepção na Trilha do Lagarto orienta o visitante sobre o percurso, que culmina em um dos momentos mais emocionantes do ecoturismo nacional: a subida de 100 metros feita com o auxílio de cordas. Essa “mini escalada” é o passaporte para o topo, onde estão encravadas as famosas piscinas naturais cavadas diretamente no granito.
Ao todo, são seis piscinas com profundidades que chegam a 1,70 metro. A sensação de banhar-se no topo de um gigante de granito e basalto é indescritível, como define o turista Gilmar Bilibio: “É uma vista indescritível, coisa de Deus mesmo. Vale muito a pena a experiência”. É importante lembrar que o acesso às piscinas é rigorosamente controlado e vigiado para garantir a segurança dos banhistas.
🪵 História e Curiosidades: O segredo do “Santo do Pau Oco”

Caminhar pelo parque é também revisitar o Brasil Colônia. Edson Valpassos, gestor da unidade, aponta que madeiras típicas da região, como o Cedro e a Cangerana, foram fundamentais para a construção das casas dos primeiros colonizadores italianos. O cedro, por ser uma madeira macia e fácil de esculpir, guarda a origem de uma expressão famosa: o “Santo do Pau Oco”.
“Os santos eram esculpidos em cedro. O pessoal, preocupado com os dízimos da coroa, furava o santo e colocava o dinheiro dentro para burlar a fiscalização”, explica Edson. Essa conexão entre a flora local e a história social do estado traz uma camada cultural profunda ao passeio, transformando a trilha em uma aula de história ao ar livre.
🧪 Ciência e Lendas: Por que a pedra é azul?

A pergunta que todos os turistas fazem — “por que a pedra é azul?” — encontra resposta na biologia. A tonalidade azulada que dá nome ao paredão não é da rocha em si, mas de uma simbiose entre algas e fungos: os líquens. Dependendo da incidência da luz solar e da umidade, esses organismos dão o tom característico à montanha. Além disso, a presença do líquen vermelho funciona como um bioindicador: sua existência prova que a qualidade do ar na região é excelente.
Já o imaginário popular prefere o folclore. A lenda local conta que um Gigante Caçador disparou um tiro de espingarda em uma Onça Pré-Histórica e, ao ver o tamanho do estrago, desmaiou, formando o “Gigante de Venda Nova” (montanha vizinha). O Lagarto, que assistia a tudo, teria ficado “congelado de medo” no paredão da pedra, onde permanece até hoje esculpido na rocha.
⚠️ Dicas e Segurança: Como agendar
A segurança é prioridade absoluta na Pedra Azul. Devido ao risco de tromba d’água, especialmente em períodos de chuva, as trilhas podem ser interditadas sem aviso prévio. Por isso, a visitação exige agendamento prévio, que deve ser feito através do sistema do Governo do Estado ou pelo site do IEMA. Como bem define o gestor Edson Valpassos: “Mais do que entrar na natureza, é preciso deixar que a natureza entre dentro da gente”.




