DNIT descarta trem de passageiros entre João Pessoa e Recife e confirma “fim da linha” para estações na PB
Em nota ao BDig, órgão afirma que não há estudos para transporte de pessoas e que estações de Campina Grande e Itabaiana serão transferidas permanentemente para prefeituras por serem “dispensáveis”.

Quem viaja pelo interior da Paraíba e cruza com trilhos cobertos pelo mato ou estações silenciosas testemunha o resultado de décadas de uma política que priorizou as rodovias e o transporte de cargas em detrimento das pessoas. Documentos oficiais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e um posicionamento exclusivo enviado à nossa redação revelam por que o apito do trem de passageiros dificilmente voltará a ecoar no estado.
🏛️ O Brasil como “Zelador de Imóveis”

Atualmente, a malha ferroviária brasileira não é gerida como um sistema de transporte ativo para a população, mas como um gigantesco inventário imobiliário. O DNIT possui registrados em seu banco de dados oficial (EXFERR) 185.966 bens patrimoniais, incluindo móveis e imóveis herdados da extinta RFFSA.
Na Paraíba, o cenário é de “despedida”. Em nota ao Portal BDig, o DNIT confirmou que estações em cidades como Campina Grande, Guarabira, Itabaiana e Mari são consideradas “dispensáveis ao transporte ferroviário” e estão sob regime de cessão. A diretriz atual é a transferência definitiva desses prédios para as prefeituras, em articulação com a Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Na prática, o trilho deixa de ser infraestrutura para se tornar, permanentemente, patrimônio histórico municipal.

❌ Exclusivo: O “Não” ao Trem João Pessoa-Recife
Um dos projetos mais aguardados pelos paraibanos e pernambucanos — a reativação do transporte de passageiros ligando as duas capitais — foi oficialmente descartado. Questionado pela nossa reportagem, o DNIT foi categórico ao afirmar que “não há, até o presente momento, estudos relativos a transporte de passageiros” no órgão para este trecho.
O foco das obras ferroviárias monitoradas pelo governo permanece no Sul e Sudeste, com o objetivo quase exclusivo de “eliminação de conflitos urbanos”. Das 71 intervenções monitoradas atualmente no país , a imensa maioria visa apenas construir viadutos ou passarelas para que trens de carga não atrapalhem o trânsito das cidades.
📉 O “Apagão” de Projetos no Nordeste

O Atlas de 2024 já apontava uma estagnação que se confirmou em 2026. Projetos vitais para a modernização da Malha Nordeste continuam paralisados:
- Sobral (CE) e Teresina (PI): O DNIT confirmou ao BDig que não houve avanço nos últimos dois anos nos projetos de Contorno e Solução Integrada, que permanecem como “Não iniciados” desde o levantamento anterior.
- A única exceção: O único suspiro de investimento na região para este exercício de 2026 é o início previsto das obras de uma Variante Ferroviária em Crateús (CE).
🏗️ O Domínio da Carga
Enquanto o passageiro é deixado de lado, o sistema ferroviário que funciona é voltado para o lucro das concessionárias de operação de cargas. O Atlas demonstra que o DNIT avalia constantemente propostas de mutação patrimonial para favorecer esse setor, deixando as ferrovias do interior como monumentos de uma era que o governo hoje trata como “dispensável”.
📊 Balanço da Realidade Ferroviária (Atualizado 2026)
| Pauta | Situação Oficial (DNIT) |
| Passageiros (JP-Recife) | Descartado (sem estudos em andamento). |
| Bens na Paraíba | 24 bens (estações/pátios) serão doados a municípios. |
| Intervenções no país | 71 monitoradas (maioria carga/conflito urbano). |
| Projetos no Ceará/Piauí | Estagnados há mais de 2 anos. |




