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Odilon Wagner celebra sucesso de ‘A Última Sessão de Freud’ após temporada em João Pessoa

Com mais de 420 apresentações e quase 200 mil espectadores no país, clássico teatral colocou em cena debate afiado e bem-humorado entre o pai da psicanálise e o autor de Nárnia no Teatro Paulo Pontes.

O que aconteceria se duas das mentes mais brilhantes e antagônicas do século 20 se trancassem em um gabinete para debater a existência de Deus, a finitude da vida e os segredos da mente humana? Essa é a faísca que acende “A Última Sessão de Freud”, espetáculo que movimentou o público paraibano em sua passagem pelo palco do Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, consolidado como um dos maiores fenômenos de bilheteria e crítica do teatro brasileiro recente.

Em cartaz há quase cinco anos consecutivos pelo Brasil, a montagem já quebrou a impressionante marca de 420 sessões e caminha a passos largos para alcançar 200 mil espectadores.

Ambientada em Londres no ano de 1939 — exatamente no dia em que a Inglaterra entra na Segunda Guerra Mundial —, a peça cria um encontro fictício entre um idoso e adoecido Sigmund Freud (vivido pelo veterano Odilon Wagner) e o jovem escritor, acadêmico e fervoroso cristão C.S. Lewis (interpretado nesta temporada pelo talentoso ator Marcelo Airoldi), mundialmente conhecido por escrever As Crônicas de Nárnia.

🧠 Duelo de gigantes sem certo ou errado

Longe de ser uma discussão árida ou engessada, o confronto de ideias conquista as plateias justamente pelo humor fino, pela ironia cortante e pela humanidade dos personagens. Enquanto Freud questiona a fé sob a ótica da psicanálise e da razão científica, Lewis rebate trazendo argumentos filosóficos sobre a redenção e a espiritualidade.

“A temática central é o sentido da existência, a existência ou não de Deus, vida após a morte, finitude e sexualidade — e tudo isso feito com muito bom humor. O público oscila o tempo todo entre a visão ateísta e provocadora de Freud e a fé cristã inabalável de Lewis. Não existe apontamento sobre quem está certo ou errado; as pessoas saem do teatro pensando e conversando”, explica Odilon Wagner.

Com nada menos que 56 anos de carreira dedicados à televisão, ao cinema e aos palcos, Odilon classifica o mergulho na mente do médico austríaco como o ápice de sua história artística:

“Quantas vezes na vida um ator tem a chance de viver alguém tão monumental quanto Freud? Ele chocou o mundo no fim do século XIX e continua gerando debates intensos até hoje. Refletindo sobre todos esses anos na estrada, posso dizer sem dúvidas que este é o momento mais potente e empolgante dos meus 56 anos de carreira no teatro”, confessou o ator.

🎭 Nova química com Marcelo Airoldi

A atual circulação nacional ganhou fôlego renovado com a entrada de Marcelo Airoldi no papel de Lewis, trazendo nuances inéditas para a dinâmica do texto assinado pelo norte-americano Mark St. Germain (com adaptação brasileira do próprio Odilon e direção de Elias Andreato).

“Com cada parceiro de cena a química se renova. Duas pessoas conversando podem ter o mesmo roteiro, mas o ritmo e a vibração ganham outro caminho. Ter o Marcelo comigo nessa jornada é um privilégio imenso, ele é um ator cirúrgico e generoso”, ressaltou o veterano.

A turnê de “A Última Sessão de Freud” segue circulando pelas principais capitais brasileiras, reafirmando a força do teatro como espaço insubstituível para o diálogo, a escuta e a reflexão em tempos de polarização.

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