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Elba Ramalho critica pressão por sertanejo no São João e rebate: “Se não tiver espaço aqui, vou cantar em Paris”

Ícone da música nordestina expõe desconforto com questionamentos sobre a modernização do forró e exalta a resposta do público no Alto do Moura, em Caruaru.

Apontada historicamente como uma das maiores guardiãs e defensoras dos ritmos tradicionais do Nordeste, Elba Ramalho expressou seu incômodo com o fato de a legitimidade do forró ser posta em xeque precisamente nos polos onde a festa nasceu. A artista traçou um paralelo intrigante sobre como o seu trabalho é recebido fora da região em comparação com as grandes arenas paraibanas e pernambucanas.

“Te juro por Deus, eu não tenho esse tipo de questionamento na Bahia, em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Não há esse questionamento lá, porque as pessoas gostam e respeitam tanto que não questionam se isso é moderno ou se vai passar. Isso é questionado aqui, o que me pressiona bastante. Por que questionar?”, desabafou a cantora.

A Indústria dos Fomentadores e o Peso do Sertanejo

Para Elba, a insistência em moldar a grade das festas juninas para priorizar outros gêneros de massa de fora da região não parte do público, mas sim de uma visão puramente comercial dos organizadores dos eventos.

 A “Mina de Dinheiro”: A artista fez questão de ressaltar que admira os cantores sertanejos, mas criticou a lógica de mercado. “Acho que isso é coisa de fomentador cultural, aquelas pessoas que organizam a festa e querem ganhar muito dinheiro. Sabem que o sertanejo é uma mina de dinheiro, porque eles são estruturados, têm uma mídia muito forte e levam muito público”, pontuou.

 A Dependência de Público: Ela questionou diretamente a tese de que o forró tradicional não seria capaz de sustentar as arenas sozinho. “Tem que trazer dupla sertaneja para o forró? Tem que ter para poder ter público? Eu questiono bastante isso”.

A Resposta Absoluta no Alto do Moura e o Recado ao Mercado

Como prova da resistência e do apelo popular do forró de raiz, Elba relembrou o fenômeno que aconteceu no tradicional polo do Alto do Moura, em Caruaru, onde a prefeitura estruturou uma programação paralela voltada à tradição.

“Meu Deus do céu, a multidão inteira foi para o Alto do Moura atrás de Santana, atrás de Flávio José, atrás de Alcimar Monteiro. É a resposta de um povo acontecendo”, exaltou a artista, minimizando as críticas sobre a relevância de suas apresentações. “Em Campina Grande eu fiz um show maravilhoso, o público inteiro dançou da primeira à última música. Então eu nem questiono mais”.

Adotando uma postura firme de valorização de sua própria história e do tamanho de seu legado, Elba encerrou mandando um recado direto aos contratantes e diretores de festivais. “Eu faço como o cantor Santana: me quer? Eu tenho espaço nesse lugar? Eu vou. Se não tiver, eu vou para outro lugar, vou para Paris cantar no Olympia”, disparou, deixando claro que o forró de raiz possui passaporte carimbado e respeito garantido em qualquer palco do planeta.

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